Marie Curie, a polonesa mais brilhante da história.

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Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 08 de março, lembramos que na história muitas são as mulheres que deram sua colaboração à ciência em tempos que delas se esperavam apenas que fossem boas mães e cuidassem de seus filhos e maridos. Apesar das adversidades a que eram submetidas, muitas mulheres conseguiram sobressair-se e são, até hoje, admiradas por sua persistência e inteligência. Esse é o caso da cientista Marie Curie.

Ganhar um Prêmio Nobel é tido como um dos mais seguros termômetros de brilhantismo. Pois Marie Curie ganhou dois. Em campos diferentes. Na história da ciência, apenas mais uma pessoa atingiu glória similar – Linus Pauling. Mas um dos que ele conquistou era o da Paz e nada tinha a ver com seu trabalho como pesquisador. Já os dela eram ambos científicos: Física e Química. E se hoje há quem denuncie que existe preconceito contra mulheres nos meios acadêmicos, calcule-se como era no fim do século 19.

Ela nasceu, como Maria Salomea Skłodowska, em Varsóvia, na Polônia, em 7 de novembro de 1867, sua família esteve muito ligada a movimentos que buscavam a independência polonesa e sofreram represálias da Rússia, que dominava aquela parte do país. Ao buscar o ensino superior, nenhuma das instituições universitárias de lá aceitava meninas na época. Somente no fim de 1891 ela conseguiu finalmente ir à Cidade-Luz, para cursar física, química e matemática na Universidade de Paris. Na mesma época, ela conheceu Pierre Curie, então instrutor da Escola de Física e Química Industrial da Cidade de Paris.

Maria bem que tentou mesmo retornar para trabalhar como cientista em seu próprio país, mas a Universidade da Cracóvia recusou-lhe um emprego, por nenhuma outra razão além de ela ser mulher. Pierre então convenceu-a a retornar a Paris e obter o doutorado.

Acabaram se casando nesse retorno e Maria Skłodowska se tornava Marie Curie. Juntos os Curie iniciaram as investigações sobre a radioatividade (termo que ela inventou), recém-descoberta por Henri Becquerel em 1896. O francês havia descoberto que minérios de urânio emitiam uma estranha forma de radiação, e o casal Curie contribuiu imensamente para a compreensão do fenômeno. Entre outras coisas, eles descobriram que a radiação era emitida pelos próprios átomos individualmente, e não por alguma interação molecular. Pelo trabalho com a radioatividade, o trio (Becquerel, Marie e Pierre Curie) recebeu o Prêmio Nobel em Física em 1903. Marie se tornava a primeira mulher a ganhar a honraria.

Ao prosseguir na pesquisa com os minérios de urânio, Marie percebeu (desta vez sem a participação de Becquerel ou de seu marido) que, se seus cálculos estivessem corretos, deveria haver outro elemento ali com capacidade radioativa ainda maior. Essa foi a trilha que levou à descoberta dos elementos polônio (batizado em homenagem à sua terra natal) e rádio, ambos descobertos em 1898. Os dois achados seriam a razão que levou a Academia Real de Ciências da Suécia a conceder a ela um segundo Nobel, em Química, em 1911.

Ela se tornou então a primeira pessoa a ganhar duas vezes a famosa premiação. Demonstrando generosidade e lembrando-se de seus tempos de dificuldade, Madame Marie, como era chamada, distribuiu o dinheiro de ambas premiações entre conhecidos que passavam por aperto financeiro, inclusive estudantes.

Apesar da fama e da reputação conquistadas, Curie ainda enfrentava o preconceito. No mesmo ano em que receberia seu segundo Nobel, a Academia Francesa de Ciências não a elegeu como membro por dois votos. Não era o tipo de coisa que ela aceitava com naturalidade. “Como várias cientistas mulheres de destaque, ela parecia desejosa de que seu sexo fosse visto como irrelevante”, diz Philip Ball, químico, físico e escritor britânico. “Infelizmente, não era.”

Mais do que desvendar os mistérios da radioatividade, Marie Curie desenvolveu rapidamente aplicações médicas para suas descobertas. Durante a Primeira Guerra Mundial, criou unidades móveis de radiografia, que foram apelidadas de “petites Curies” (“pequenas Curies”, em francês). Após a guerra, ela relatou suas experiências no livro Radiologia na Guerra, publicado em 1919. E, depois do armistício, ela continuou mobilizada, buscando recursos para fundar dois institutos de estudo do rádio, um em Paris e outro em Varsóvia, na Polônia. Ambos continuam gerando pesquisas médicas importantes até hoje.

Em 1920, no 25º aniversário da descoberta do rádio, o governo francês deu a ela um estipêndio que antes havia sido concedido a Louis Pasteur. No ano seguinte, Marie Curie fez uma visita muito proveitosa aos Estados Unidos para colher fundos destinados à pesquisa com rádio. Foi recebida na Casa Branca pelo presidente Warren G. Harding, que deu a ela 1 grama de rádio colhido em solo americano. Marie Curie também faria visitas a outros países, para aparições públicas e palestras. Entre as nações visitadas, estavam a Bélgica, a Espanha, a Tchecoslováquia e o Brasil. Marie brilhou sozinha durante praticamente toda a carreira, mas a solidão a atormentou durante longos anos. Em 1923, ela escreveu uma biografia sobre seu marido.

E, a despeito de todo o sucesso angariado por décadas, sua pesquisa com radioatividade, ao fim e ao cabo, cobraria seu preço. Os perigos desses estudos eram desconhecidos, então Marie não tomava nenhuma precaução. Ela carregava frequentemente tubos de ensaios com amostras de rádio nos bolsos do jaleco, o que certamente a colocou sob risco maior. Também se expôs a doses excessivas de raios X em seus trabalhos durante a Primeira Guerra Mundial.

Após décadas disso, até seu livro de receitas se tornou altamente radioativo e só pode ser manipulado hoje com roupas protetoras. Os papéis em que documentava seus resultados científicos, então, nem se fala. Ela morreu de anemia aplástica, causada pela manipulação constante de material radioativo, aos 66 anos, em 4 de julho de 1934. Mas deixou um exemplo que brilha até hoje no panteão dos heróis científicos da humanidade.

Fonte: Super Interessante

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